terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre o sono depois do choro.

Apagaram-me na cama. Úmido de sal e água. Puseram-me debaixo da seda e deixaram que eu a molhasse. Não me refugiaram dos quadros do meu quarto. Não me fingiram diante os discos de cantorias de carnavais. Não me seguraram as mãos cheias da fadiga. Nada além de exaustão saindo por meus tímidos e viris olhos. E então me deixaram assim, descobrindo.

O sono é mais doce depois do choro. O olho inchado se molda com os melhores sonhos. As pupilas se desdobram e desenham o conforto das horas apagadas. Os cílios se umedecem para encharcar de calmaria todo o quarto. A bochecha amassa a cara com o pesado corpo do sono. As lágrimas deixam escorrer a leveza do descanso depois do martírio. Tudo se entrelaça e vibra na condição de ser dormido. Puxa a tristeza que se esconde embaixo do lençol. Rasga o desconforto e a sensação de chumbo das costas. Seca a poça d’água que se formou com a janela aberta. Apaga da mente por instantes a realidade que faz relampejar de lágrimas. Faz com que o sono fique mais denso, mais pesado, mais concentrado.

E então, aparece o sentir/estar melhor, durante o sonho bom de anti-choro. Dura o tempo necessário para o acordar com a cara emburrada. Dura o tempo necessário para o mal estar retomar forças. Dura até quando o real vivo na parede depois do sono depois do choro chegar.

Júnior.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Término.


Depois que eu me tornar essa merda ruim que não é tomado como exemplo para um relacionamento comum, com beijos doces e pegadas de coxas, não venha me dizer que eu não me esforcei.

Depois de ter te dado as melhores tulipas, depois de ter remendado sua pipa colorida de infância que ficava na parede do seu quarto, depois de ter polido sua gaita empoeirada que encontrei debaixo da cama, depois de ter desenhado esses quadros indianos para você, depois de ter feito chocolate quente nas noites de frio e esquentado seus pés com nosso amor, não me venha dizer que não me mantive com atenção para te agradar.

Não poderá vir com essa porcaria de fim de aventuras, que geralmente entras em guerra contra os seus melhores sensos, dizendo que não era pra ser, que foi melhor assim ou que eu não merecia o seu sentimento porque era pouco. Isso não presta nem nunca prestou. Serviu apenas para você tentar justificar de uma forma mal sucedida sua partida sem volta e sustentar uma obrigação de desculpas por algo que não precisa ser explicado.

Foi tudo muito intenso. Por isso ficamos assim. Sentimos uma necessidade de amar/sofrer/querer sofrer com o amor/amar todo esse sofrimento/e ter fé que vai continuar na merda amando/sofrendo tudo isso.

Apesar de tudo, ainda sim penso. Está tudo bem pra mim. Acho que depois de uma partida inesperada tenho mais o sol na janela. Tenho mais café na xícara. Mais disposição pra outras danças com outros pares. Mais vontade de querer sofrer menos.

Mesmo assim, estou ainda concertando as cordas do violão que costumávamos tocar em dias de chuva no canto da sala. Limpando as fotos sujas de merda de insetos. Costurando os fantoches de meias coloridas que brincamos em um dia insano.

Enfeitando tudo isso que restou.

Desenhando com o meu sexo solitário nas paredes do banheiro. Fumando cada vez mais depois das coxas na minha cara.

Só assim, creio que me sinto à vontade. Mesmo depois de tudo. Se não perdurou, ótimo! Sobra mais espaço e tempo pra mim. No meu apartamento e no meu coração passando da data de validade.

Só não se torne essa coisa amarga que te vejo nos bares em meio tanta cachaça e trepadas? Só não se torne essa bolha que cospe tudo que lhe oferecem de forma carinhosa? – porque sei que ainda existe o tal do carinho- Só não diz que falta paciência para o mundo e não foge entre os carros? Porque isso eu não quero pra você. Porque isso eu não quero pra mim, mesmo sem seus cabelos no meu travesseiro.

Isso é algo que te mata aqui dentro. Aos poucos quebra e sai com a fumaça no meu pulmão. Vomito de leve e maltratado tudo que te resta dentro do meu estômago. Cuspo sem perceber o gosto das tuas nádegas em qualquer calçada. E assim, desse jeito, movimentado involuntariamente, já não tenho o teu cheiro impregnado nas minhas calças.

Júnior.

domingo, 10 de outubro de 2010

Peculiaridades. 3 O Sentido Amar Contemplado.



Em suma, aos amores que choram nas tardes de saudade.

Aos amores que jamais os fortes compreenderiam.

Aos amores que te calam a boca com a sensação gostosa do estar junto.

Aos amores que te lembram as músicas sopradas com o vento no fim de tarde.

Aos amores que te pintam o rosto de contentamento.

Aos amores que te afogam no peito de tanto nervosismo pela outra presença.

Aos amores que te suam as mãos, que te gelam a testa, que te sangram de desejos.

Aos amores que te deixam nas praças com cara de bobo.

Aos amores que te fazem sonhar acordado.

Aos amores que te deixam mais leves no dia pesado.

Aos amores que te sonham antes de dormir.

Aos amores que existem, não só por existir.

A todos os amantes, O Amor.

Júnior!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Peculiaridades 2. O Sentido amar não recíproco!

Amores sem reciprocidade.
Amores que te fazem doer.
Amores sem destinos nesta cidade.
Amores que te deixam sofrer.
Amores que não vêem a beleza do amante.
Amores que não sentem saudade a todo instante.
Amores que mofam no escuro do peito.
Amores que morrem por nada feito.
Amores que secam da espera no sol ardente.
Amores que se julgam eloqüentes.
Amores que não enxergam o sentido amar.
Amores que não existem por gostar.

Júnior!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Peculiaridades 1. O Sentido Amar.



A este amor que tanto sonhei depois das películas cinematográficas.

A este amor que tanto chorei depois dos mares de sonhos acabados.

A este amor que tanto pintei nos livros e paredes de colorir.

A este amor que tanto esperei e não me avisaram quando ele ia chegar.

A este amor que tanto desejei, até quando não fito os seus olhos.

A este amor que tanto colecionei em figurinhas, mesmo em repetidas.

A este amor que tanto soube existir, mesmo sabendo que nada sei dele.

A este amor que tanto senti, mesmo quando estive embriagado de realidade.

A este amor que tanto procurei, mesmo entre calçadas vagabundas.

A este amor que tanto senti, mesmo sabendo que ele não está contido no meu peito.

Em suma, a esses amores irreais, platônicos, surreais, carnais, incontroláveis, irracionais, estranhos, cegos, surdos, mudos, com a boca cheia e a borda escorrendo de amor pra amar.

Júnior.

(Desenho elaborado na sala de aula. Para variar, aula muito chata de Cretin...opp´s, Christina.)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bêbado de tolice.


Penso na tolice da embriaguez. Fiz da última vez para tentar esquecer algo. No entanto, se soubéssemos, antes do primeiro gole desejado, o sabor amargo que as lembranças têm quando tocam nosso paladar, não fazíamos isso.

Um gosto tão estranho que parece amassar-nos contra a parede meio suja já por outros, afim do vomito de ar comprimido nos nossos cérebros há décadas. O lembrar já podre grudado na nossa mente. Sem data de validade. Sem destino. Sem convite para entrar e permanecer para o chá da tarde.

Bebemos para esquecer. Quando assim ocorre. Não esquecemos. Falamos entre corredores bagunçados, banheiros lotados de merda, calçadas corrompidas do lixo, todos os males e infernos que nos reascendem de contradição para o nosso presente já passado sendo planejado para o futuro tão breve que parece mentir e não chegar.

E nada se faz como queremos. Ficamos vulneráveis. Choramos ou não feito crianças mimadas. Somos amados e odiados por todos em volta.

Até que chega a hora do descanso. Depois do gole. Depois do amargo. Depois do choro. Depois do vomito e vergonha sangrada nos ambientes... Aparecem nossas camas.

Aí sim, percebemos com a maldita ressaca o quanto estávamos infames nos olhares dos outros. Aí sim, percebemos a contradição da nossa realidade. Quando mais queríamos esquecer as lembranças que arranhavam nossa cabeça, não conseguimos. Acordamos com elas mais vivas do que antes, exalando o cheiro amargo, azedo do nosso vomito, e ainda temos de pensar na merda da tolice da noite passada. A embriaguês.

Júnior!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mutável.


E vai ser assim. Você ai e eu cá. Eu com minhas bolinhas de gude ainda sujas de lama terra molhada. E você com seus livros já rasgados pelo tempo traça e pela correria. Eu querendo ser menino sonhador dos filmes de aventura. E você querendo ser dona das suas próprias pernas. Eu tomando coragem pra gritar o amor nas praças e agitar a calmaria dos pombos se alimentando. E você julgando a minha inconstante forma de querer surpreender-te. Eu querendo pegar briga no pátio do colégio por ouvir de forma suja seu nome. E você querendo ser estrela entre amigos de trabalho que não se lembram do meu apelido. Eu estudando música pra fazer-te uma canção. E você estudando cinema pra passar o filme do meu fracasso/amor. Eu querendo ser passarinho verde. E você nem ai para o meu voar colorido. Eu tagarelando nos corredores sobre seus beijos. E você apagando o gosto desses simples gestos. Eu tentando decorar o francês das músicas de Piaf. E você rasgando os versos em português amador que te deixei embaixo do travesseiro. Eu colhendo flores pra deixar no retrovisor do seu carro. E você acelerando ele para passar por cima de mim e acabar isso tudo de uma vez. Eu querendo seguir teus pés na areia quente da praia. E você apenas querendo saber em que planeta eu me encontro. Eu querendo me inflamar numa dessas paixões. E você me dizendo pra ir embora e fechar a porta. Então, ainda meio assim, calado, preso num catarro ou em outro na garganta, resolvi não mais falar sobre o amor. Porque ele é inconstante. Pelo menos o meu. Ele é assim tão passageiro, que ontem mesmo, te amei de novo, e de novo, e de novo. Depois de cada palavra dita no silêncio dessas cartas meio secas. Depois dos risos sem sons dos desenhos que me presenteou há anos. Depois do nada que houve entre nós dois. Depois do ódio. Depois do maldizer nos botecos. Depois dos discos quebrados de ausência da tua voz me cantando pela manhã. Decidi que será assim. Que vai ser assim. Vou sair disso. Vou mergulhar numa outra dança com um outro par. Vou virar beija-flor de outros jardins. Vou virar essas traças. Corroendo as bordas desse todo até não existir mais nada. Até existir o nada. Para existir o só, somente. Tão passageiro quanto o amor. Esperando mais uma ou duas músicas para me tornar novamente isso que ainda sinto latejando dentro desse ser. Necessariamente, esperando a mudança. Saindo desses tecidos amassados de amor.

Júnior!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O lembrar mucoso.


O lugar ainda continua o mesmo daquele menino que soterrava seus soldados de brinquedo na lama do quintal da antiga casa.

O mesmo que o grande menino desenhava com suas folhas secas de outono e giz de chão barrento.

O mesmo que o sonhador menino pintava seu rosto com as cores de um teatro vivo.

O momento ainda continua o mesmo daquele singelo palco onde viviam as suas efêmeras posições em relação a um romance.

O mesmo onde ele se perdeu num abrigo de cheiros e sons convidativos para uma noite bem dormida.

O mesmo onde se estranhou nas medidas incertas do amor.

O tempo ainda continua o mesmo daquele corredor quando os quadros parados observavam um amor inútil e insolente.

O mesmo quando o incenso doce e ácido pairava sobre dois corpos suados.

O mesmo quando a lua espiava silenciosamente pela janela um carinho que o tal pensar fazia eterno.

O hoje? Sim. Este, eu creio que mudou.

Não há mais a simetria daqueles lugares sedentos por algo isento do aquilo raro que se transformava feito fumaça ao sair da minha boca.

Não há mais a simplicidade dos retratos simbólicos daquela realidade pura que andava sonhando numa tarde calma depois do almoço assassino da minha fome.

Não há mais nada além de cartas mal escritas com músicas/rimas repetidas, desenhos surreais desbotados e comidos por traças, palavras penduradas num fio de lembrança no meu telhado, sons estranhamente entrelaçados nos meus lençóis úmidos.

Não há nem sequer este silêncio que tanto me julgam ter entre bares ao som do samba mais triste, avenidas em pleno carnaval contentado, nas noites de gramado em plena lua, nas cantorias de textos improvisados com tamanha falta de inovação.

Nada restou no antigo relicário. Se é que o mesmo um dia existiu.

Restou o fato, o ato, o trato. Maus feitos e mal retratados. Nunca consumidos ao meu almejar. Nunca no meu silêncio. Nunca na retina da minha doce simplicidade para o amor que se estragava.

E se algo ainda existir. Dentro de mim ou fora desse corpo. Na minha mente ou entranhado na parede do meu quarto. Nos meus discos mal cantados ou na minha garganta dilacerada...

Será essa merda que sempre quis deixar arranhando-me durante o sonho.

Esse catarro que eu sempre quis grudado no meu esôfago.

Pigarro. Limo. Aquele. O do verde. O do roxo.

O do bem podre e viscoso.

Que não me deixa gritar.

Que não me deixa falar.

Que não me deixa mentir.

Que não me deixa engolir essa porcaria de comida pegajosa que tanto me faz lembrar o seu modo mucoso de oferecer palavras/atos/flores/desenhos/gestos/carinho...Sempre mal ensaiados.

Junior

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Passarinho de afeto quebrado.


É que a semente caiu na água e desmanchou meu riso. Eu sabia que não ia durar muito. Estava tão delineado ali, parado, bonito, intacto, livre de mim, que pensei ser algum efeito alucinógeno. Veio esse tal passarinho verde e num descuidado, das alturas, soltou seu futuro consumo. Desmanchou-se, então. A semente e a alegria. Afeto quebrado na tensão d água.

Bateu na minha cara como tapa de um amor que nunca acreditei que fosse levar. Estralou o vermelho que gritou de dor dentro do meu peito. Manchou com o pó restante a cor viva que desfrutei em poucos minutos. Apodreceu essa fruta roxa que tanto guardei para comer no fim de tarde. Com o verde, com o azul, com o vermelho. Suculentos. Pedindo meus dentes e beijos.

Mas não foi como eu li nos livros, vi nos filmes, soube nas lendas. Fora d água, meus olhos não brilharam, meu riso não brotou vivo no rosto e a disposição para isso que eu nem sabia o que era, estava amena. Não me esperaram ensaiar nem um improviso sequer. Não me deixaram enfeitar com laços meus sonhos bons de menino carente. Não me deixaram ao menos, fazer a barba, me perfumar, arrumar o cabelo. Nem os dentes amarelados eu pude escovar.

E fiquei assim, com a cara sem coragem nessa grama vendo minha imagem se espalhar com o sopro do barco de papel que caiu, o qual eu amassei de amor. Mole de água. Cansado desse mar. Desses sopros. Até dessas dobras tão limitadas e seqüenciais.

Tremi calado. Imagem. Só, com a expressão de desmanche. Descarregado no lago. Desfrutado de tão pouco. Um algo com tal roxo que foi embora e sei que não vai nascer dessa semente que o pássaro deixou cair. Inchada. Podre. Não vai pegar viagem com esse barco naufragado, nem muito menos se encaminhar nesse sopro de brisa leve e perfumada de frutos. Pelo menos não nesta tarde de ainda sementes.

Júnior

sábado, 21 de agosto de 2010

Pedido quase Delito.


Isso vai me enlouquecer. Vai me agarrar as entranhas e me puxar para baixo como energia negativa sobrecarregando minhas costas. Me deixará mais afundado nessa agonia de bêbado tentando esquecer seus amores nos botecos fétidos dessa cidade. E que cidade miserável. Essa podridão no canto das calçadas é de dar-me um embrulho no estômago e fazer-me revirar de um canto para o outro da cama quando tento dormir. Essa merda que desenha as paredes desses prédios e outdoors dessas avenidas com figuras ilustradas de puro cinismo, parece rasgar-me com veracidade minhas limitadas verdades sobre o meu bem estar.

Vestido com essa regata branca, bermuda rasgada e chinelo de couro com aquela velha mochila xadrez recheada com meus sonhos num pedaço de papel, andei desfilando por entre becos e ruas sem saída, e sendo repugnado com esses olhares que não retribuíam meu contentamento comportado. Olhando para um lado, o padeiro me mastigava passado na manteiga com seus olhos cheios de dentes como se soubesse o que andei fazendo na noite passada nas camas alheias ou ninhos de recanto. Olhando para o outro lado, a vizinha fofoqueira me cuspia com bafo na cara a indecência e intolerância que isso tudo se torna para quem não vive na minha carne, na nossa carne, naquela carne que tanto a chamam de podre e é massacrada por esta merda de sociedade. Até o mendigo bêbado do quarteirão distante, indigente miserável, não o julgando, me fazia meter meu rabo entre as pernas que, então, ficavam trêmulas de tanto desconforto.

Esses olhares me queimam as bochechas de tanta incompreensão. Cortam-me as pernas. Sangram-me os lábios. Queimam minhas asas que se fazem tão pequenas. Desprezam meus sonhos mais inocentes. Não traduzem essas línguas tão idênticas chupadas com o mesmo tom roxo de amor. Não dissipam a desigualdade que ainda está embutida nos bancos de praça, nas escolas, nas pregações religiosas, nos senados. Não me fazem almejar esse amor que tanto distribuem em enlatados nas igrejas e em gente boa de família. Deixam-me curvado, com joelhos no chão, dolorido diante um pensar que tenta me parecer errado, cancerígeno, praga maligna que se espalha entre campos abertos, ruas estreitas, mentes fechadas, e estimula os amores errôneos dessa gente tão pobre de conceitos.

Gostaria de entender, meu Deus, o porquê de toda essa reprovação? O porquê de tanta falta de tolerância? Pelo qual motivo o respeito-pelo-próximo resolver se soltar da boca de um indivíduo e desvanecer-se no ar como algo barato e simples? Pelo qual motivo, “essas-queridas-pessoas-normais”, resolveram estragar um dom tão divino? Pisar nele feito inseto repugnante que te dá náuseas? Não entra de nenhuma forma na minha mente o porquê desse mau-dizer imenso que jorra nos chafarizes secos dessa cidade. Não consigo ver motivo são para não me deixarem morrer de amor. Não consigo ter uma visão semelhante para não me deixarem acariciar um rosto tão semelhante ao teu, Cristo. Será que vão nos moldar e nos petrificar feito doença nas praças? Será que vão atirar pedras nas nossas cabeças para dar defeito nessas engrenagens sutis para voltarmos a ser como éramos antes, igual a todos os “normais”?

Não sei Senhor, já não mais sinto essa bondade entre os homens. Já não sei o que será daqui pra frente quando as guerras definitivamente começarem. Peço-lhe, apenas, que atendas meu pedido. Nesse meio onde os homens comem a carne podre um dos outros. Nesse meio onde os cães lambem com vontade essa merda que sai da boca desses bêbados de má fé jogados nas calçadas. Peço-lhe que apenas aprece o passo. Fabrique algo para curar essa dor incômoda que arranha meu sono. Algo que possa ser injetável, que não doa, que amenize essa enxaqueca que me desnorteia depois de horas batendo a cabeça na parede para isso tudo entrar na minha mente. Porque assim, não está dando mais para sentir a calmaria do sol batendo nos meus olhos me mantendo vivo no gramado que tanto me esconde.

Júnior.